O boné que protege do sol e das muriçocas

Visita a Aldeia Flor D'Água
Visita a Aldeia Flor D'Água

No ano passado, por ocasião do Congresso Internacional de Naturismo na Paraíba, fui conhecer a Aldeia Flor D’Água, em Gurugi, à convite de um amigo. Fomos à tarde, o sol estava forte, era preciso me proteger com um chapéu. Meu amigo se prontificou a me emprestar um. Fiquei ali na praia, esperando, enquanto ele ia até a sua barraca para pegá-lo.

O trio no congresso da INF
O trio no congresso da INF

Muito bem. No caminho de volta, ele encontrou uma conhecida sua. Ela estava se lamentando porque tinha perdido seu chapéu, de folha de coqueiro, recém comprado. Ele então, penalizado, cedeu o chapéu que tinha ido buscar para ela. Chegou até mim e contou o ocorrido. A solução, por ele encontrada, era emprestar-me o boné que estava usando, o bom samaritano. Lógico que eu não aceitei.

Brigamos, bati pé e ele ali firme. Disse a ele que não iria ao passeio, se ele insistisse que eu fosse com o boné. Não houve jeito porque ele respondeu: que eu podia não ir ao passeio, mas o boné ficaria comigo, porque ele não ia pegá-lo de volta.

Na oca de Julíndio com o boné do Evânio
Na oca de Julíndio com o boné do Evânio

Escutem só: eu ia no carro dele, com o boné dele, num passeio imperdível até a aldeia. Um lugar de mata, piscinas naturais, águas que vertiam quente de um lado e fria do outro, desaguando em um pequeno riacho, ao lado de uma das trilhas. Eu não ia ficar criando um caso e perder a oportunidade de conhecer um lugar assim, maravilhoso. Só o aconselhei então a caprichar no protetor solar e fomos à aventura!

Grupo de visitantes da aldeia
Grupo de visitantes da aldeia

Um pequeno grupo de pessoas já se encontrava no local quando chegamos. Tivemos uma breve explanação, dos objetivos da criação da aldeia, pelo representante do lugar: preservar a mata, as fontes de água e praticar a simplicidade voluntária.

Voltando da trilha chegamos na clareira da mata
Voltando da trilha chegamos na clareira da mata

Fomos explorar as trilhas, uma delas de nome sugestivo – Por que Desci – e foi mesmo. “Porque para baixo todo o santo ajuda, para cima é que a coisa muda”. Foi difícil subir, principalmente, para os que como eu, estavam um pouco fora de forma.

Na volta da trilha, fomos ao banho na lagoa. Colocamos nossas roupas e pertences num canto e fomos no banhar. Caímos todos dentro da água, sob o olhar atento da cachorrinha, que ficou sentada, na beira do barranco. Meu amigo foi atacado pelas muriçocas mesmo dentro da água, só com o pescoço para fora. Sem o boné, lógico, o alvo preferido foi à cabeça dele. “Lugar onde tem sapo, muriçocas não dão rasante”.

Banho no lago vigiados de perto pela cachorrinha
Banho no lago vigiados de perto pela cachorrinha

Em uma clareira no meio da mata pintamos o corpo. Foi nosso batismo na tribo da aldeia.

Batismo na aldeia
Batismo na aldeia

Saímos de lá, já era noite. Era hora de nos despedir, porque no outro dia bem cedo, eu iria viajar. Esqueci de entregar o boné, de marca, que meu amigo trouxe da Europa. Carreguei-o na minha bagagem, de volta para casa, em Porto Alegre.

Piscina natural
Piscina natural

Combinamos de nos encontrar em Tambaba este ano. Lembrei-me de colocar o boné na mala para devolver, só que ele teve um imprevisto e não foi ao encontro.

Tornei a carregar o boné na viagem até Natal, onde ele reside. Encontramo-nos em um maravilhoso jantar, oferecido em sua casa, com direito a banho naturista na piscina.( Já comentei em um post anterior).

Finalmente, um ano depois, pude devolver ao dono o boné que me protegeu do sol e das muriçocas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *